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e a conceituada análise geopolítica

Países árabes são parceiros fundamentais

- No Líbano, Lula e Marisa estiveram em Byblos, uma das cidades mais antigas do país - Ricardo Stuckert/PR


O Brasil vem adotando uma posição mais combativa no cenário internacional, inclusive no tocante ao comércio exterior. Alguns dizem que Lula vende bem a imagem do Brasil, outros que ele tem o espírito de mascate enquanto terceiros notam que o Celso Amorim é o grande estrategista do Planalto. Seja como for, o importante é que o Brasil não está estacionado geopoliticamente, como ocorreu por longo tempo de nossa história.


Veja a seguir a importante entrevista que o Presidente Lula concedeu ao repórter Joel Santos Guimarães da ANBA- Agência de Notícias Brasil-Árabe, publicada no dia 18/06/2008, às 07h00, na página da agência noticiosa (www.anba.com.br)

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Em 2003, Lula visitou cinco nações árabes. Em 2005, esteve na Argélia. Os resultados dessa política externa têm sido o aumento freqüente das exportações e o crescente interesse dos árabes pelo Brasil.


A conquista de novos mercados, linha mestra da política de comércio exterior do governo, é uma das razões do crescimento das exportações brasileiras. A análise é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em entrevista à ANBA, avaliou a participação do Brasil no mercado internacional, cujo crescimento nos últimos cinco anos ele atribuiu à manutenção dos parceiros tradicionais e a entrada cada vez maior dos produtos brasileiros em novos mercados. Entre eles, o presidente destacou os países árabes, que hoje já são o quinto maior parceiro comercial do Brasil. “A busca por novos mercados constitui uma das principais motivações para a forte expansão do comércio brasileiro nos últimos anos”, avalia o presidente.Segundo ele, o Brasil, além de ampliar o número de parceiros comerciais, ficou menos dependente dos chamados mercados tradicionais, os países desenvolvidos. Para o presidente, isto foi de importância estratégica, pois permitiu ao Brasil evitar o impacto maior da atual desaceleração econômica nos EUA, de cujo mercado o Brasil hoje não é “fortemente dependente”.Lula lembrou ainda que o país, além de ter ampliado seus mercados, agregou valor à sua pauta de exportações com as nações em desenvolvimento, inclusive do mundo árabe. O presidente garantiu que os países árabes são parceiros fundamentais para o Brasil e sua política de comércio exterior. Como exemplo, ele citou o crescimento, nos últimos cinco anos, das exportações brasileiras para aquela região do mundo. Em 2003, quando Lula visitou cinco países árabes, as exportações brasileiras para os 22 países árabes somavam US$ 2,5 bilhões, saltando para US$ 7 bilhões em 2007, um crescimento de 180 % nesses cinco anos. Nesse período, o crescimento das vendas para os países árabes foi maior que o das exportações brasileiras como um todo.Para esse ano, de acordo com as projeções dos exportadores, as vendas externas do Brasil para os países árabes devem chegar a US$ 7,7 bilhões. “Não tenho dúvidas de que, em linha com o crescimento das relações Sul-Sul, este intercâmbio seguirá ganhando dinamismo em benefício da integração de nossas economias”, afirmou Lula.O presidente destacou ainda a contribuição da Câmara de Comércio Árabe Brasileira para o crescimento das relações comerciais entre o Brasil e os países da Liga Árabe. “A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira é uma instituição de importância crucial para nosso relacionamento com a região, pois é referência na cooperação comercial e cultural, além de ser parceira do governo no apoio a atividades que fomentam a aproximação entre o Brasil e as nações árabes”, disse. Leia abaixo a entrevista:


ANBA - Presidente, a política de comércio exterior de seu governo tem resultado no aumento das exportações brasileiras. O Brasil, ao mesmo tempo em que manteve seus parceiros tradicionais, buscou novos mercados, entre eles os países árabes. Até que ponto isso contribuiu para uma expansão das exportações brasileiras? Quais os resultados daquilo que o senhor costuma chamar de presidente caixeiro viajante?


Luiz Inácio Lula da Silva - A busca por novos mercados constitui uma das principais motivações para a forte expansão do comércio brasileiro nos últimos anos. Trata-se de instrumento de diversificação em dois aspectos. Em primeiro lugar, diversificamos nossos parceiros, de maneira que não estamos dependentes, como no passado, de poucos parceiros, sobretudo no mundo desenvolvido. Isto é de importância estratégica, pois nos permitiu evitar o impacto maior da atual desaceleração econômica nos EUA, de cujo mercado não somos mais fortemente dependentes. Em segundo lugar, diversificamos nossas exportações, uma vez que em nossa pauta com os países em desenvolvimento, inclusive do mundo árabe, se destacam produtos industrializados. Não tenho dúvidas de que, em linha com o crescimento das relações Sul-Sul, este intercâmbio seguirá ganhando dinamismo em benefício da integração de nossas economias.




ANBA - Em 2003, o senhor visitou vários países árabes. Foi o primeiro presidente brasileiro a visitar aquela região do mundo. Antes, só D. Pedro II. A partir daí houve uma expansão do comércio entre Brasil e países árabes. Qual o balanço que o senhor faz das relações comerciais entre Brasil e árabes?


LILS - Visitei cinco países árabes no primeiro ano do meu mandato (Síria, Líbano, Emirados Árabes Unidos, Egito e Líbia). Naquele período, nossas exportações para a região somavam US$ 2,5 bilhões. Já em 2005, realizamos em Brasília a 1ª Cúpula América do Sul - Países Árabes. Em termos comerciais, os resultados dessa aproximação são visíveis: exportamos, no ano passado, US$ 7 bilhões para os países árabes. A ampliação do nosso comércio tem sido mutuamente benéfica, pois importamos, em 2007, um montante similar da região. Além de alimentos, estamos exportando para esses países produtos manufaturados, com alto valor agregado, como veículos e aviões. Isso confere valor qualitativo e estratégico à nossa parceria comercial com os países árabes.




ANBA - Não teria chegado o momento de o Brasil buscar investimentos árabes para a cadeia produtiva da economia brasileira?


LILS - Temos de aproveitar as diversas oportunidades comerciais e de investimentos no mundo árabe, da mesma forma que buscamos atrair investimentos árabes para o Brasil. O ministro Celso Amorim visitou vários países da região. Temos feito esforço de divulgar oportunidades de investimentos nos mais variados setores de nossa economia e incentivado contatos entre as comunidades empresariais dos nossos países, como por meio de missões empresariais organizadas por governos de diversos estados brasileiros. A recente abertura de conexões aéreas diretas entre o Brasil e a região será certamente um poderoso incentivo para intensificar os contatos empresarias e explorar as oportunidades comerciais.




ANBA - O senhor fará novamente uma viagem ao mundo árabe? O que motivaria a decisão de viajar novamente à região?




LILS - Pretendo voltar ao mundo árabe tão logo seja possível. O que me motiva a dar continuidade a esses esforços de aproximação é o entusiasmo que essa política provoca na comunidade de cerca de 10 milhões de árabes e descendentes que temos no Brasil. Além de consolidar os avanços na área comercial, o Brasil está decidido a contribuir de forma mais intensa para as negociações de paz na região. O recente convite para o Brasil participar da Conferência de Paz de Annapolis, nos EUA, é demonstração de que o Brasil é cada vez mais visto como interlocutor relevante na região. Pensamos assim contribuir para o fortalecimento de um diálogo para a construção de um mundo mais pacífico, próspero e justo.




ANBA - Em sua opinião, qual a importância da Câmara de Comércio Árabe Brasileira nas relações comerciais entre árabes e brasileiros? O senhor acredita que a ação do governo foi o principal indutor do aumento do comércio com os árabes, ou o papel preponderante foi do setor privado?




LILS - A Câmara de Comércio Árabe Brasileira é uma instituição de importância crucial para nosso relacionamento com a região, pois é referência na cooperação comercial e cultural, além de ser parceira do governo no apoio a atividades que fomentam a aproximação entre o Brasil e as nações árabes. Nosso governo tem privilegiado a atuação conjunta com o setor privado por entender que nossos esforços são complementares. Se, por um lado, as ações governamentais podem abrir caminhos para a iniciativa privada, também é verdade que o diálogo entre o governo e o empresariado permite uma melhor definição das estratégias prioritárias. Percebemos, por outro lado, que os empresários estão atentos aos sinais emitidos pelo governo no campo da política externa e dispostos a explorar as iniciativas governamentais, dando sentido concreto às intenções dos governos de promover laços comerciais mais fortes.

ANBA - Quando o senhor colocou a aproximação com os países árabes como uma das estratégias da sua política internacional, o que o senhor tinha em mente?




LILS - As iniciativas que tomamos são uma demonstração de confiança no diálogo para aproximar países distantes e culturas distintas, mas que têm percepções similares sobre os desafios para os países em desenvolvimento no mundo contemporâneo. Essas iniciativas, conforme apontei, provocam grande entusiasmo na comunidade de descendentes de árabes no Brasil. Precisamos valorizar esse patrimônio humano para abrir um novo capítulo das nossas relações. Temos aspirações em comum. Vamos dialogar e unir forças. Queremos formar parcerias baseadas não somente na complementaridade das economias, como também na convergência de posições no plano político. Nosso diálogo com o mundo árabe, além de reforçar a cooperação do eixo Sul-Sul, consolida a tendência de caminharmos na direção da multipolaridade, como resultado da diversificação de eixos regionais.




ANBA - Que papel o senhor acha que o Brasil pode ter na resolução de conflitos no Oriente Médio, especialmente na Palestina?




LILS - Podemos ajudar porque contamos com credibilidade e imparcialidade. O Brasil é um exemplo de convivência pacífica entre árabes e judeus. Sempre defendemos a solução pacífica para os conflitos. Nossa eqüidistância e aptidão para promover o diálogo nos credenciam a desempenhar um papel cada vez mais ativo no processo de paz israelo-palestino. Apoiamos a criação de um Estado palestino independente e temos nos aproximado cada vez mais do mundo árabe, sem que isso prejudique as excelentes relações que mantemos com Israel. É por essas razões – conforme dito anteriormente – que fomos um dos poucos países em desenvolvimento fora do grupo árabe convidados a participar da Conferência de Paz de Annapolis e da Conferência de Doadores de Paris, no final de 2007. A contribuição brasileira também inclui a cooperação técnica para o desenvolvimento e reconstrução dos Territórios Palestinos.Está programada para 2009 a segunda edição da Cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA).




ANBA - Quais assuntos o senhor acha que devem ser discutidos pelos chefes de Estado e de governo durante o encontro?




LILS - Embora tenhamos avançado desde a 1ª Cúpula ASPA, há algumas áreas em que podemos concentrar esforços, como pesquisa científica, desenvolvimento de serviços especializados (por exemplo, automação bancária e engenharia) e investimentos em infra-estrutura. O mundo árabe, particularmente a região do Golfo, é hoje um grande canteiro de obras. Em todas essas áreas, temos ampla experiência. Mas a relação que queremos construir constitui uma via de mão dupla. São amplas as oportunidades de investimentos árabes no Brasil e na América do Sul. Acreditamos haver potencial também nas áreas de turismo, de cultura e de meio ambiente, particularmente no combate à desertificação. A 2ª Cúpula ASPA, que ocorrerá possivelmente no primeiro trimestre do próximo ano, em Doha, será mais uma oportunidade para aprofundar o diálogo político, diversificar as modalidades de cooperação e reiterar a prioridade que atribuímos à conclusão do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo.




ANBA - O senhor acredita que a primeira edição da Cúpula gerou uma aproximação efetiva entre países sul-americanos e árabes? O que foi acordado na ocasião realmente foi executado? A Cúpula está tendo a continuidade esperada?


LILS - Nos últimos três anos, desde a realização da 1ª Cúpula ASPA, em Brasília, já ocorreram mais de 20 encontros de alto nível para dar seguimento às decisões tomadas nas áreas de cooperação científica, econômica, cultural e de meio ambiente. Na mais recente reunião de chanceleres, ocorrida em Buenos Aires, em fevereiro passado, houve manifestação inequívoca de interesse de todos os países pela realização da 2ª Cúpula ASPA, em Doha.




ANBA - As relações comerciais entre árabes e sul-americanos avançaram? De que forma?




LILS - No plano econômico-comercial, a aproximação entre árabes e sul-americanos progrediu muito com a ASPA. O comércio entre os 34 países-membros do mecanismo vem crescendo continuamente, havendo alcançado US$ 20 bilhões, em 2007. O potencial é enorme. Somente no primeiro trimestre deste ano, as nossas exportações para a região cresceram 43%. O fluxo comercial deve ampliar-se ainda mais com a conclusão do Acordo de Livre Comércio ao qual já me referi. Os países árabes estão entre os maiores compradores da carne de frango brasileira, bem como de calçados, equipamentos, frutas, cosméticos, entre outros itens. No campo do turismo, o Brasil enviou, no curso de 2007, missões ao Catar, ao Kuwait e aos Emirados Árabes Unidos para promover nossos destinos. Ao final daquele ano, o fluxo de passageiros aumentou muito, culminando com a criação – já mencionada – de uma linha aérea direta entre São Paulo e Dubai, que será estendida, agora, a Buenos Aires, além de outras rotas já projetadas para a América do Sul.




ANBA - Presidente, pelo que o senhor coloca, as relações entre árabes e brasileiros não estão limitadas apenas ao comércio entre essas duas regiões.




LILS - O aprofundamento das relações entre Estados não deve ser avaliado exclusivamente pelo ângulo de resultados concretos e imediatos, mas sim como um processo de aproximação gradual, que leve em conta afinidades históricas, interesses comuns e seu potencial de realização. Exemplo disso é a programação cultural organizada pela ASPA, que ajuda a aproximar nossos povos. Outro exemplo é a exposição “Amrik – Presença Árabe na América do Sul”, que viajou pelo mundo árabe; a Biblioteca ASPA, instituição já em funcionamento na USP e que na Argélia contará com edifício próprio; o Instituto de Estudos e Pesquisas sobre a América do Sul, a ser instalado no Marrocos; e a edição do primeiro livro trilíngüe português-espanhol-árabe, sobre a viagem de um imã árabe ao Brasil em meados do século XIX.




ANBA - Em linhas gerais, qual a importância da ASPA?




LILS - A ASPA é um dos melhores exemplos de que nossas ações internacionais encontram seu fundamento último nos princípios éticos, humanistas e de justiça social que caracterizam as políticas que estamos implementando também no plano interno. E sua criação se insere em um contexto de um novo mapeamento internacional, em que as relações estão deixando de ser pautadas pelas grandes potências do Norte e passam a incorporar uma nova dimensão, de relações diretas entre países do Sul. A diversificação de relações dá estabilidade e segurança ao Brasil e aos demais países envolvidos.




ANBA - A sociedade civil tem participado nesse movimento de aproximação com os países árabes?




LILS - Todas essas ações têm nos aproximado, estimulando, em alguns casos, a própria sociedade civil a assumir as rédeas do processo. É o que vemos na iniciativa da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, de oferecer capacitação em comércio exterior a estudantes e técnicos árabes, em benefício do intercâmbio bi-regional.




ANBA - Desde 2005, o Mercosul negocia um acordo de livre comércio com o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. No início, pensava-se que o tratado seria negociado com certa facilidade, uma vez que as economias do Golfo, a princípio, não competem com as economias do Cone Sul. Ocorre que até hoje, quase três anos depois, o acordo não foi fechado e, parece, por causa da GCC. Como avançar nesse acordo se o Mercosul tem receio de abrir o mercado para um dos únicos setores em que os árabes são realmente competitivos? Existe alguma previsão de quando o tratado poderá ser assinado e de qual será o seu conteúdo?




LILS - O acordo de livre comércio negociado com o GCC é visto pelo Brasil como passo fundamental na estratégia mais ampla de aproximação econômico-comercial do Mercosul com o mundo árabe, principalmente com países do Golfo, pelo seu potencial de comércio, não somente de bens, mas igualmente de serviços e investimentos. O nosso bloco também negocia com o Marrocos e com a Jordânia. Nessas negociações comerciais, temos buscado explorar fórmulas que contemplem os interesses de países do GCC e, ao mesmo tempo, preservem atividades indispensáveis ao desenvolvimento dos países do Mercosul. Essa é a orientação pela qual buscaremos um ponto de equilíbrio entre os interesses exportadores dos países do GCC no que diz respeito a produtos petroquímicos e a sensibilidade da indústria nacional nesse setor.Em sua recente visita à Arábia Saudita, o ministro Celso Amorim reafirmou a mensagem de que o Brasil atribui grande prioridade às negociações com o GCC, e que o país almeja trabalhar junto aos sócios do Mercosul para encontrar soluções viáveis para as naturais dificuldades do processo. Quanto ao prazo para a conclusão do acordo, as indicações são de que os detalhes finais poderiam ser finalizados com duas ou três rodadas adicionais, mas seria precipitado fazer previsões de tempo. No que diz respeito ao Brasil, temos urgência em concluir acordo que dará nova dimensão e dinamismo ao relacionamento inter-regional.

O CASO DANTAS E A MÍDIA ALTERNATIVA

por RODRIGO FIERRO*


Semana passada, juristas de todo Brasil e os meios de comunicação ficaram em polvorosa com a Operação Satiagraha da Polícia Federal, que levou à prisão, dentre outros, o banqueiro Daniel Dantas.

Pouco conhecido do grande público – pois, excetuando alguns veículos, digamos, mais independentes (principalmente a revista Carta Capital), sua aparição na chamada “grande mídia” era restringida a notas que não iam nada além de descrevê-lo como um bem-sucedido empresário – Daniel Dantas é uma figura emblemática da onda neoliberalista que tomou conta do país no final do século passado e início deste. Suas relações com o mundo da política tiveram inicio nas mãos do falecido Antonio Carlos Magalhães, posteriormente foi cogitado a ser ministro de Estado no governo Collor, gozou de amplo acesso no PSDB e no governo FHC (onde teria enriquecido com o processo de privatização do Sistema Telebrás, em 1998) e, conforme agora veio à tona, aproximou-se de influentes políticos ligados ao PT.

Poucas horas após sua prisão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, determinou sua soltura, concedendo liminar em um pedido de habeas corpus que vinha se arrastando desde abril deste ano, que o banqueiro impetrou em virtude de uma matéria publicada à época pela Folha de São Paulo. No mesmo dia em que foi solto (quinta, 10 de julho), a Justiça Federal de São Paulo decretou novamente sua prisão preventiva, agora sob acusação de tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal. No dia seguinte, nova decisão da nossa Suprema Corte mandando libertá-lo.

Logicamente, o caso tem muito mais meandros do que foi dito aqui neste espaço. Mas de tudo o que foi falado, analisado e repercutido na mídia em geral, o que posso destacar é, de um lado, o fato de que nosso Brasil não consegue se libertar de velhas práticas e, por outro lado, o “baile” que a chamada “mídia conservadora” levou nesse episódio dos sites e blogs do internet.

O primeiro aspecto é evidente por si só. Deixo totalmente de lado a questão da legalidade ou não da prisão. A discussão é outra. Quem neste país, algum dia, teve dois pedidos analisados e concedidos pelo STF em 48 horas? Ninguém! E não pensem vocês que estamos ingressando numa nova era de Justiça para todos. O nosso sistema judiciário não é e nunca foi acessível a todos. Ele é preconceituoso e excludente. Esse caso apenas demonstra que as grandes alamedas da nossa Justiça só estão totalmente abertas para alguns poucos.

O outro aspecto, no entanto, é algo que considero alentador. A chamada mídia alternativa – blogs e sites da internet – cobriu o caso de forma muito superior e eficiente do que os grandes veículos (leia-se: Globo, Folha, Estadão e Veja). Repito, foi um baile. Quem quisesse ter informações seguras sobre o que estava acontecendo tinha de se socorrer dos blogs e sites – como os do Luis Nassif, Eduardo Guimarães, Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Bob Fernandes, entre muitos outros – já que a mídia convencional desvirtuou toda a discussão à questões de menor importância, como o abuso no uso de algemas e alarde que a Polícia Federal faz com suas operações

Isso é curioso, pois a mídia alternativa sempre repercutia o que se noticiava nos grandes veículos da mídia convencional. Esse caso criou um paralelo. As notícias eram divulgadas pelos sites e blogs e discutidas à margem do que noticiavam os grandes jornais e as emissoras de televisão.

Há muito que os interesses econômicos dos grandes monopólios da informação tomaram conta de nosso noticiário e deixou-se de lado o comprometimento de noticiar fatos de forma imparcial. Tomara que novos tempos estejam chegando.....

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* advogado e pós-graduando

SÉCULO DE LUZ E DE TREVAS

por Cyro Saadeh*


É interessante notarmos como evoluímos tão demoradamente durante a longa história da humanidade.

O século passado, porém, foi o ano das descobertas, da psicanálise, da teoria da relatividade, do avião e de tantas outras coisas benéficas ao homem. Pode-se dizer que foi o ano próprio da racionalidade, onde grandes gênios despontaram e colaboraram na ampliação do conhecimento a um número maior de seres.

Porém, o século passado não foi só de luz. Enfrentamos duas grandes guerras mundiais e regimes ditatoriais únicos na história, onde se despontam déspotas em Portugal, na Espanha, na União Soviética, no Cambodja, na Indonésia, na China, no Brasil, em Uganda, na Argentina e no Chile. Foi um ano de grandes e de pequenas guerras em todos os continentes, com muitos mortos.

Foi um século em que Jerusalém voltou a ser disputada, agora por israelenses e palestinos.

Indígenas e nativos foram dizimados de forma covarde em todos os continentes.

Nunca houve tantos refugiados como no século que passou. Judeus, muçulmanos, árabes, armênios, africanos, sul-americanos... Nunca o mundo viu tantos seres em busca de refúgio.

Foi um século em que a fome perseguiu 600 milhões de habitantes no mundo inteiro, onde a aids matou milhões de pessoas, onde a pornografia tornou-se um dos produtos mais rentáveis e um grande ramo empregatício, enquanto moralmente a sociedade tornava-se sutilmente mais conservadora.

Foi o século do crescimento do radicalismo religioso no mundo. Nos Estados Unidos, 20% da população fazem parte do fundamentalismo evangélico. Alguns muçulmanos interpretaram o Alcoorão de forma própria para justificar atentados. Alguns israelitas justificam a luta por terras na atualidade na bíblia de mais de cinco mil anos. A religião, ao invés de aproximar, passou a segregar.

O século passado realmente se foi, mas muitos dos seus males ainda surtem efeito no dia-a-dia.

Há muito ainda a ser descoberto. Decolamos nos estudos das ciências exatas e biológicas, em um grande descompasso com as ciências humanas, ainda incipientes.

O direito e a Justiça precisam avançar muito e humanizar-se, para se aproximarem das pessoas que têm interesse na solução dos processos. A democracia realmente tem que se fortalecer e criar condições efetivas para que todos, pobres ou ricos, diferentes ou iguais, possam interferir na política local, nacional e internacional.
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* jornalista

OAB e Defensoria Pública não entram em acordo sobre reajuste da tabela de honorários e população carente corre o risco de não ser atendida

(foto extraída da página da Defensoria Pública)





Convênio existente desde 1986, firmado entre a Defensoria Pública do Estado de São Paulo e a Ordem dos Advogados do Brasil no Estado de S. Paulo, não foi renovado na última sexta-feira (11/07) porque não houve consenso sobre o índice de reajuste na remuneração dos honorários dos advogados que auxiliam a defensoria na defesa da população carente.

Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da Seccional paulista da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, sustenta que a tabela de honorários não pode ser imposta pelo Estado. A OAB informa aos advogados interessados, em sua página na internet, que "estará suspensa a triagem para novas nomeações, porque a Defensoria Pública não atendeu pleito de majoração dos valores da tabela de honorários da advocacia, impedindo com isso a renovação do Convênio de Assistência Judiciária".

O mencionado convênio reúne mais de 47 mil advogados inscritos contra menos de 400 defensores públicos. A nomeação se dá em cada um dos processos onde a Defensoria esteja impossibilitada de atuar. D' Urso justifica que, para atender demanda tão expressiva da população, a Defensoria Pública tem de levar em consideração o pleito da OAB/SP, pois precisa do convênio para atender o objetivo para o qual foi criada.

Já a Defensoria Pública argumenta que a OAB/SP "desconsiderou cláusula pactuada e não aceitou a majoração proposta no valor de 5,84%, que recompõe a inflação do período". Além de sustentar que o valor solicitado pela OAB está acima dos recursos orçamentários, a Defensoria ainda assevera que o "convênio previa que a tabela dos honorários advocatícios fosse reajustada, anualmente, de acordo com a variação inflacionária do período, pelo índice adotado pela administração pública, o IPC-FIPE. O referido índice atingiu no período 5,84%"

A Defensoria Pública foi criada em 2006 e é o órgão incumbido pela Constituição da defesa dos que não têm condições de constituir advogado. É sucessora da antiga Assistência Judiciária, então ligada à Procuradoria Geral do Estado de São Paulo.

Para se ter uma idéia dos custos do convênio, em 2007 o gasto atingiu mais 272 milhões de reais, valor que permitiria a contratação de mais 4.000 defensores públicos substitutos, número superior aos 1.600 defensores necessários para atender toda a população carente do Estado.
A assessoria de imprensa da Defensoria Pública informa que não é a primeira vez que há ruptura do convênio. O mesmo ocorreu em 1995.

Visando normalizar a situação da população carente, a Defensoria informou que hoje foi publicado Edital no Diário Oficial do Estado com as informações para o cadastramento de advogados no período de 28/07 a 08/08 para prestar assistência jurídica gratuita junto à Defensoria, sem a intermediação da OAB.
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* por Cyro Saadeh, jornalista

SEM CICLOVIAS ATÉ QUANDO?

Tantas cidades têm ciclovia e a nossa São Paulo insiste em priorizar a acomodação dos seus milhões de pesados e poluentes carros no quase que exclusivo espaço urbano destinado aos veículos motorizados.
Pedestres e ciclistas são esquecidos. Faixas de pedestres existem, mas são desrespeitadas. É impossível conseguir atravessar numa faixa de pedestre quando não há semáforo. Quem já não sofreu com isso? Mas os marronzinhos da CET estão aí, não para orientar, mas para autuar, num claro sinal de que esquecemos de que o trânsito também faz parte do processo de cidadania, onde devemos respeitar o próximo, por mais que ele pareça ser diferente, simplesmente por estar a pé, a cavalo, de bicicleta ou de motocicleta.
Há projetos de ciclovia na cidade, sim, mas previstos para daqui dez anos. Não é possível que tapemos o sol com calotas, daquelas antigas, de metal, que queimam as mãos e nos cegam com o reflexo que causam...
Os bairros da Vila Pompéia, Vila Romana, Lapa, Vila Madalena, Sumaré, Pinheiros, Perdizes, Barra Funda e Pacaembu poderiam abrigar uma grande ciclovia que uniria os Parques da Água Branca e Vila Lobos; a estação de trem da Lapa ao metrô da Vila Madalena; as estações de metrô da Vila Madalena e da Barra Funda ao Estádio do Pacaembu; as avenidas Sumaré, Heitor Penteado e Pompéia, num verdadeiro eixo de lazer e de turismo; e as ruas dos barzinhos da Pompéia, de Perdizes e da Vila Madalena aos metrôs da Vila Madalena e da Barra Funda, propiciando que se possa ingerir substância alcoólica sem dirigir veículo automotor.
Ciclovia é muito mais cidadania, é muito mais benéfica ao meio ambiente, ocasiona muito menos acidente fatal e beneficia, sim, a verdadeira locomoção nesse trânsito caótico.
O que estamos esperando para cobrar das autoridades pequenas atitudes que são baratas e muito mais responsáveis com o meio ambiente, com a saúde, com o bolso dos cidadãos e com a cidadania?

CARTA AO NOVO AMOR



"DEIXA EU TE LEVAR, NÃO HÁ RAZÃO E NEM MOTIVO PRA EXPLICAR
QUE EU TE COMPLETO E QUE VOCÊ VAI ME BASTAR , TÔ BEM CERTO DE QUE VOCÊ VAI GOSTAR, VOCÊ VAI GOSTAR, VAI GOSTAR..."
Trecho da música "Tolerância" (Ana Carolina)




Então, meu novo amor, não tenha medo de mim, não tenha medo de nós!
Embarque comigo, sem receios, sem memórias passadas!
Vamos construir a nossa linda história! E ela tem um gosto doce, tem sabor de chocolate, tem perfume de rosas!
Não deixe a insegurança ou a ignorância desatar esse laço forte e firme que já existe entre nós!
Vamos aproveitar esses momentinhos calorosos e divertidos que está acontecendo entre nós! Vamos voar pelos ares do nosso mundinho tão enluarado e coberto de estrelas!
Ter medo disso por quê? Eu não tenho. Já mergulho em fantasias... lindas e loucas fantasias que pra você ainda são desconhecidas!
Dê-nos tempo pra realizar todas elas! Estamos só começando, mas já tem sabor de quero mais... Em criatividade somos iguais! A sintonia física existe!Nossos corpos já deram certo! E como deram...
Vamos caminhar em passos leves, tão leves como tem sido nosso amor até aqui! Sem pressa, sem rótulos e sem cobranças!
A minha única exigência meu novo amor é que nunca me deixe só!
Porque tenho medo do escuro se você nele não está!
Zele e cuide de mim, assim como eu cuido e preservo você de tudo que possa vir a te machucar!
Já me livrei dos amores mal resolvidos! Livre-se dos seus, pois na minha vida só há um único espaço e você já o preencheu. Estou pronta pra ficar com você e para você!
Portanto, livre-se de culpas e venha até mim de corpo alma e coração!
Tenho certeza que ao se entregar terá como eu a sensação de que somos iguais, fortes e intensos e que tudo de bom pode acontecer com essa linda história de amor que nos espera!
Posso até não ser a pessoa certa pra você, mas sou quem te adora, quem te quer , sem medos, sem preconceitos... Sou eu quem te deseja em todos os momentos.
Estou convencida de que sou a pessoa que pode te fazer feliz!
Certo ou incerto não interessa, quero ficar com vc!
Vem pra perto de mim!!! Siga-me e se descubra desejado, esperado e muito, muito amado!

Dedicado a Déia, Camille, Denise e Pati Estrella! Amigos queridos! E a todos aqueles que como nós estão vivendo um novo amor!

Lú Matos.

CATARINA

Abaixo, uma carta de Lú Matos à avó Catarina, falecida ontem.
Fiquei remexendo minha memória buscando nosso último encontro!
Encontrei você sentadinha na cadeira da porta da sua casa,a mesma casa que por toda minha linda e doce infância corri,pulei e brinquei!
Me lembro perfeitamente da sua feição serena,sempre calminha,sempre com aquela voz baixinha,aquele falar devagar,me olhando e sorrindo!
Me sentei do seu lado,te beijei e passamos a falar só de mim!
Você me enchia de perguntas,sempre querendo saber se eu estava bem e quando ia voltar pra te ver de novo...
Eu voltei tão pouco...a vida prega essas peças na gente!De tão longe que eu morava não tinha como está pertinho de você como eu queria!
E como eu queria...porque você me dava uma paz tão infinita!
Era voltar a minha infância de menina feliz,pés descalços,cara lavada!
Te encontrar me fazia sentir aquele cheiro enlouquecedor de bolo de fubá que só vc com as mãos de fada sabia fazer!
E era um encontro tão feliz,pleno...porque será que hoje me culpo de não ter me permitido vê-la mais vezes?
Não consigo achar desculpas!Agora que vc se foi ficou um vazio enorme e uma saudade sufocante de pensar que seu sorriso não encantará mais a minha vida!
Catarina,vc foi e é a lembrança mais feliz da minha infância!
Vc foi a avó que me estragou,que deixava que eu fizesse tudo,me lembro de pular na sua cama,e cair nos seus braços.
Me lembro de levar bronca na igreja pq na missa eu não parava quieta!
Era a bronca mais boba do mundo,pq quando saíamos vc me comprava sorvete!
Lembro de vc pegando no colo a minha filha ainda bebê e se realizando com o fato de ser uma bisavó!
Era muito bom ouvir sua voz ao telefone!E agora Catarina!!!Como faço pra falar com vc?
Em toda minha vida essa é a primeira vez que vc realmente me desaponta!
Foi embora sem se despedir de mim!E nem um beijo me deu!
Então só me resta chorar,porque assim posso acreditar que alguma hora vc irá me ligar!Já que vc era a única pessoa que não se permitia me ver chorar!
Então Catarina vem me consolar,enxugar minhas lágrimas de saudade!
Me faz dormir no seu colo e me conta histórias de lobisomem!
Faz broa de milho pra mim e aquele café com gosto de vc!
Eu quero me lembrar de vc sempre assim!
E nunca vou deixar morrer dentro de mim essas lembranças!
Morre o seu corpo,mas vc vive plenamente dentro de mim!
Com o coração partido te peço,
Seja feliz ai no além! E ensine esse povo todo ai como é ser a avó mais linda e encantada desse mundo!
Aqui nesse mundo nosso vc reinava absoluta!
Venha me ver em sonho um dia desses e não esqueça que eu vou sentir muitas saudades de vc!
Pra mim vc nunca partiu,na verdade vc foi colorir o além!
Te amo muito,
Lú.

UM DOCUMENTÁRIO PARA PENSAR SOBRE O PRECONCEITO

por Cyro Saadeh*
  • Um tempo atrás tive a oportunidade de realizar um documentário muito interessante. Versava sobre a história de um menino nordestino que se sentia menina e que, com o passar do tempo foi sofrendo mais e mais preconceito. Pressionado pela sociedade conservadora, mudou-se para o Estado de S. Paulo, onde conheceu o seu namorado. Passou um tempo e adotou duas crianças, tornou-se Mãe de Santo e realizou uma cirurgia tensa para a mudança de sexo, após autorização médica. Mudou o nome por força de decisão judicial e casou na Igreja. Os filhos e a sociedade, hoje, o tratam como uma mulher, que realmente é. Há detalhes mais interessantes e que nos fazem perceber como somos pequenos e reduzidos na capacidade de compreender o universo de possibilidades, de vontades e de necessidades imperativas do ser humano.
  • Hoje, o meu objetivo mais imediato na área de vídeo é justamente essa, a de refilmar esse documentário, sob a mesma perspectiva que havia feito, ou seja, a de fazer o telespectador notar como o preconceito é algo deplorável após haver a compreensão da história de vida do personagem. Tem tudo para emocionar até o mais preconceituoso homófobo. Duvida? Então, aguarde.
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* jornalista e pretenso vídeo-documentarista e escritor

CELEBRANDO A VIDA NA POMPÉIA

Tem tanta coisa boa na Pompéia. Bem, os espetos é algo que se torna impossível não perceber, mas o bairro nos reserva inúmeros outros atrativos. Há uma pastelaria famosa que trouxe para cá os conhecidíssimos pastéis do Trevo de Bertioga; há também uma sorveteria de renome no posto Ipiranga da baixada da av. Pompéia; há várias pizzarias de qualidade, mas quem não conhece o Galpão da Pizza, na rua Dr. Augusto de Miranda, 1.156, com a sua massa fina e crocante; e a cantina Recanto Di Carmo, com música ao vivo às sextas e sábados, onde os queridos velhinhos nos dão aulas de dança; e o Dib com a sua culinária árabe? É, são tantos os bares, os barzinhos e as casas de doces e também de salgados que se torna impossível não curtir esse bairro tão propício à quebra de jejum em benefício da celebração da vida.

BOSSA NOVA NA OCA

por LELIANE MORAES*

A mostra que conta a história de uma época através do ritmo que é a cara do Brasil

Está na oca a Mostra Chega de Saudade, em comemoração aos 50 anos da Bossanova.

Entre diversas atrações que o evento promove, a que mais me instiga é o palco "Beco das garrafas", denominado desta forma em homenagem ao famoso bar carioca, que trará cantores como Tom Jobim, Elis Regina, Vinícius de Moraes e Frank Sinatra, cantando simultaneamente a canção: Garota de Ipanema. Isso será possível graças a tecnologia inédita em nosso país que é a mesma que a banda Gorillaz utiliza em seus shows.

Estamos esperando o que para relembrarmos os velhos e inesquecíveis tempos? Para quem infelizmente não viveu essa fase, basta conhecer o que foi bom e que nunca se apagará...

De terça a domingo, das 10h00 às 21h00. Na oca (av. Pedro Alvares Cabral, s/n, portão 3, parque Ibirapuera, tel 4003-2050. R$20,00 (às terças a entrada é franca) Livre - até 07/09
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* jornalista

EDITORIAL



Muito do que há neste jornal foi pensado exaustivamente. Muito também está em teste.

O horário da postagem, sempre logo após a meia-noite, é uma forma de dizer ao leitor que ele tem preferência no acesso à informação. Ele saberá na primeira hora o que será manchete durante todo o dia. Afinal, a notícia não é do veículo, mas daquele que o consulta. Para o JP, o que mais interessa não é a publicidade, mas cada um dos seus leitores. Tentamos tratar com carinho e atenção cada um daqueles que vêm à nossa página, a fim de obter o que há de mais precioso no que se refere a periódicos jornalísticos, que é a fidelidade.


A coluna da direita, com dicas de cidadania é aquilo que com o tempo fortalecerá ainda mais a fidelidade. A disposição estampada logo no início é uma forma de tornar mais prático o acesso às páginas mais recorrentes, permitindo a pronta solução dos pequenos ou grandes problemas do dia-a-dia.


A coluna da esquerda é reservada às notícias e artigos exclusivos, a matéria-prima deste jornal.

O planejamento da página foi feito por um dos colaboradores que diuturnamente dedicou-se a tornar a página informativa e gostosa de acessar, mesmo sem os recursos de um grande site.


As cinco notícias de cada veículo de comunicação importante, disponibilizadas por meio da tecnologia RSS, é uma maneira de centralizar a notícia para que o próprio leitor edite o que julga importante ler. A cidadania não aparece do nada. Como se sabe, é um exercício contínuo de filtragem de informações, de aprendizado e de acesso a informação.

Depois de tudo isso, responda uma coisa, qual o veículo que se preocupou tanto com você até hoje, que trouxe tantas dicas de cidadania e que, às duras penas para um veículo pequeno, traz sempre mais uma novidade e apresenta sempre um novo colaborador?


Não. Você não precisa responder. A certeza da sua fidelidade não vem com palavras, mas com o acesso a este jornal.


Em tempos em que a notícia se resume à retransmissão das agências noticiosas, o JP dá um show, um verdadeiro show de coragem de assumir que o que importa para um Jornal não é a publicidade ou o copiar e colar notícias dos outros. Isso nós também sabemos fazer e colocamos as manchetes dos outros veículos no final da página esquerda. Também destacamos o que outros órgãos fazem, desde que autorizem a livre divulgação. Mas o que importa de verdade para nós é passar uma informação exclusiva que emocione e faça refletir. E cada um dos nossos colaboradores, muitos jornalistas, outros não, fazem isso com esmero e carinho.


A produção não é em série ou em massa. É um produto artesanal, feito sob medida para quem deseja ver aquilo que não é tão óbvio.


O que nos resta fazer? Agradecer. Muito obrigado.

PARTIDO COMUNISTA NOS ESTADOS UNIDOS

por Cyro Saadeh*




(imagem extraída da página http://www.cpusa.org/)

Você sabia que nos Estados Unidos há um partido Comunista? Embora fraco, ele luta para estar presente em todos os estados daquele país.

Você pode não acreditar, assim como eu não acreditava, mas o país que assume a postura e a arrogância de dizer que é a maior democracia do planeta (e sabemos que não é. Vide as guerras, as fraudes eleitorais, o sistema Judiciário, as torturas e os naviões-prisões), somente recentemente liberou a legalização do "Communisty Party" na Califórnia. Sim, o estado mais liberal do Estados Unidos somente há poucos dias aprovou a existência legal do partido dos Comunistas.

Parece que o muro que ruiu em Berlim há 19 anos e a revolucionária Glasnost da União Soviética de Gorbachev estão a produzir efeitos um pouco tardios na terra do Tio Sam. Após quase duas décadas do fim da guerra fria é que os Estados Unidos cessam censuras e algumas restrições aos direitos civis.
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* jornalista

INFORME DE ÚLTIMA HORA

Foi protocolizada no último dia 4 uma Ação Direta de Inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, discutindo a Lei 11.705/2008, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro e deu origem ao que ficou conhecido como "Lei Seca", que pune rigorosamente quem dirige alcoolizado.
A proponente foi a ABRASEL NACIONAL - Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento e ainda não houve a escolha do Ministro-Relator.
A petição baseia-se mais em argumentos opinativos que técnicos. Dentre as questões jurídicas abordadas está a violação aos princípios da isonomia, razoabilidade, proporcionalidade, equidade, racionalidade e legalidade, além da afronta aos princípios da liberdade econômica e livre-iniciativa. A questão mais polêmica, porém, é a de produção de prova contra si mesmo (bafômetro ou dosagem no IMESC), o que é vedado no ordenamento jurídico nacional e tende a ser derrubado no Supremo. Esse é o argumento de maior peso, segundo alguns juristas.

DICAS DE BELEZA


por SCHISMENE FREITAS*


Neste inverno com um friozinho gostoso, a pele fica toda ressecada e rachada. Principalmente a minha que já é ressecada por natureza.
Que mulher não sonha com uma pele lisinha e bem hidratada? Se você é como eu, daquelas que não podem ver um potinho de creme novo e já vai logo comprando, cuidado!
Com tanta novidade no mercado é preciso escolher o hidratante ideal para o rosto e corpo, após descobrir se sua pele é oleosa, normal, seca ou mista.
OLEOSA: os poros são dilatados e há um brilho excessivo.
NORMAL: a pele tem viço, é bonita, firme e apresenta brilho sem oleosidade.
SECA: os poros são fechados e a pele é bastante opaca e costuma ser muito sensível.
MISTA: a pele concentra oleosidade na zona T (testa, nariz e queixo), enquanto as maçãs do rosto são secas ou normais.
E engana-se quem pensa que só com muito dinheiro é possível ficar de bem com o espelho.
Ficar linda e bem cuidada é bem mais fácil do que você pensa.Explorar recursos naturais, como ervas, frutas e cereais é o que há de melhor para se usar no rosto e no corpo.
De fato, loções, hidratantes e esfoliantes caseiros podem rejuvenescer tirar manchas e ressaltar a sua beleza natural. Basta preparar uma lista, visitar o supermercado, seguir as receitas a risca e pronto, deleite-se com seu SPA caseiro.
Transforme seu banho numa seção de massagem, isso é possível com a ajuda da esponja que ao mesmo tempo que espalha o sabonete, remove as células mortas e ativa a circulação sanguínea. Se sua pele é sensível ou seca, prefira as esponja de celulose; as vegetais são ideais para pele oleosa e a marinha pode ser usada todos os dias em peles normais ou secas, pois seu esfoliamento não é muito agressivo.
Também tem um esfoliante para acabar com aquelas bolinhas que surgem nos braços e no bumbum por causa do atrito com a roupa. Basta misturar 2 colheres (sopa) de fubá e 1 copo pequeno de mel. Misture até virar uma papa, aplique este preparo com massagens circulares e em movimentos suaves sem fazer pressão.
No rosto, para fazer uma limpeza profunda, coloque água com camomila e erva-doce no fogo e com o chá bem morno posicione o rosto bem perto da tigela, o vapor vai abrindo os poros e isso facilita na hora de tirar as impurezas.
Quando sinto que a minha pele está cansada e sem brilho, faço um chá com 3 folhas de sálvia e 250 ml de água, lavo o rosto com essa loção e depois sinto a pele revigorada e fresca.
Para hidratar a pele faço o seguinte creme: misturo ¼ de abacate com 1 colher (chá) de iorgurte natural integral e aplico essa pasta sobre a pele limpa e deixo agir por 15 minutos. Depois retiro-a com água morna.
Agora, eu duvido que depois dessas dicas você vá sair por aí comprando qualquer novidade no mercado, nem os cremes mais caros oferecem as riquezas que a natureza nos proporciona.
Depois disso tudo é só seguir as dicas e aguardar o bom resultado.

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* jornalista, atriz e modelo

CASADOS, PORÉM SEPARADOS!


por LÚ MATOS*



A NOVA MODA ENTRE OS CASAIS MODERNOS TEM ASSUSTADO OS ROMÂNTICOS À MODA ANTIGA!
CASAIS ASSINAM O FAMOSO “PAPEL” PERANTE JUÍZES OU DIZEM SIM DIANTE DE PADRES OU PASTORES, TUDO COMO SEMPRE! O QUE MUDA É O FATO DE CADA UM IR PRO SEU LADO!
QUANDO DIGO LADO NÃO ESTOU ME REFERINDO AO SEU LADO DA CAMA, MAS CADA UM SEGUE PRA SUA PRÓPRIA CASA! CONHECI UM CASAL NESSES MOLDES.
ELE MORA COM OS 2 FILHOS DO PRIMEIRO CASAMENTO NUMA CASA GRANDE, QUE CABERIA MUITO BEM ELA COM TODAS AS SUAS COISINHAS...
ELA, MORA NUM APARTAMENTO COM SEU ÚNICO FILHO, TAMBÉM DO SEU CASAMENTO QUE NÃO DEU CERTO! UM APARTAMENTO TAMBÉM GRANDE QUE CABERIA TOTALMENTE ELE E SUAS CUECAS!
A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA VIVIDA POR AMBOS COM SEUS CASAMENTOS FRACASSADOS OS FIZERAM ENTRAR NUM ACORDO NA NOVA E BOA RELAÇÃO DELES!
JUNTOS HÁ 6 ANOS, NAMORANDO E FELIZES RESOLVERAM OFICIALIZAR A UNIÃO!FESTA, CHAMPAGNE E AMIGOS!
LUA DE MEL NA BAHIA E DE VOLTA CADA UM NA SUA RESPECTIVA CASA!
O MAIS CURIOSO FOI A AGENDA DOS DOIS!
AS SEGUNDAS-FEIRAS ELES NUNCA SE VÊEM! JANTAM JUNTOS NA CASA DE UM DOS DOIS NA TERÇA E CURTEM UM FILMINHO JUNTOS. QUARTA CADA UM FAZ O PROGRAMA QUE QUISER, SAEM COM SEUS RESPECTIVOS AMIGOS, JOGAR BOLA, TOMAR CHOPINHO OU FOFOCAR! OU SEJA QUARTA TEM “FOLGA”!
QUINTA ELES SAEM PRA JANTAR FORA DE CASA! NAMORAM OU NÃO, E SE DESPEDEM!
SEXTA,SABADO E DOMINGO DORMEM JUNTOS,SEMPRE!
EU ESTOU COMECANDO A ACHAR INTERESSANTE TUDO ISSO!
NA MINHA CABECINHA ROMÂNTICA NUNCA ME IMAGINEI PENSAR ASSIM, MAS DEPOIS DA EXPERIÊNCIA CONVENCIONAL DE CASAMENTO QUE JÁ TIVE COMEÇO A VER UMA CERTA GRAÇA NESSE COMPROMISSO DESCOMPROMISSADO!
ATENTO SÓ PRA UM DETALHE: MULHERES COM INDEPENDENCIA FINANCEIRA CERTAMENTE LEVAM TODAS AS VANTAGENS NESSE MOLDE MODERNO!
O DURO MESMO É CONCILIAR RESPEITO A ESSA MODERNIDADE TODA!
HAJA SEGURANÇA NO SEU PRÓPRIO TACO! MAS NADA É IMPOSSÍVEL NO UNIVERSO COMPLICADO DO CASAMENTO.
AINDA CONTINUO A MESMA ROMÂNTICA QUE ADORA RECEBER FLORES E TORPEDINHOS!

MAS,QUE É TENTADOR VIVER CADA UM A SUA INDEPENDÊNCIA E TER SEU ESPAÇO SUPER RESERVADO, AH ISSO É!

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* jornalista

MÍDIA-COLISEU

Coliseu romano - Rogério Fanin - Baixaki

por Cyro Saadeh*


Passamos pela idade das trevas, pela renascença, pelo iluminismo, pela revolução burguesa e hoje estamos na involução dos meios de comunicação, onde tudo é objeto de desejo, de consumo e de escárnio.

Vivemos acreditando que precisamos de um carro bonito, de uma casa bonita, de uma companheira ou companheiro bonito para nos sentirmos bonitos. E dái? No que influenciará a vida ter tanta beleza? E os questionamentos saudáveis da vida onde ficam? Abandonamos a filosofia, o estudo da psique, a filologia em prol de um mero estar temporário e vazio. Desistimos do ser permanente. Talvez tenhamos assumido uma postura humilde de que não somos eternos, mas crendo nisso, abandonamos o conceito de alma e valorizamos apenas a matéria, da qual nos julgamos necessitados a todo instante. Como somos confusos! Acho que estamos perdidos, isso sim.

Muitos criticam os programas como o “Big Brother”, mas no fundo eles almejam saber detalhes da vida daqueles que julgam estar acima da média ou em evidência. O povo quer saber detalhes. Liga a televisão e vê revistas de fofoca e algumas outras que ainda tentam dissimular serem de informação para noticiar o que os artistas, políticos e esportistas andam aprontando em sua vida pessoal.


Os programas de “reality show” são a verdadeira banalização do péssimo entretenimento. Sim, de uma espécie lamentável de entretenimento. Não se trata de notícia, pois não há informação, mas também não pode ser considerado um bom entretenimento, pois não há diversão e pouco menos cultura. Há, isto sim, pura maldade nas entrelinhas. A mídia visa “entreter” com a falta de escrúpulos e o velho espetáculo de um coliseu rejuvenescido com os novos gladiadores sem armas. Desculpem o termo, mas há uma sodomização da dor e da vida alheias.


Paralelamente ao crescimento de programas e revistas de fofoca, que confundem a vida particular com fatos que mereceriam destaque, as pessoas têm lido mais livros e jornais. É o que aponta a última pesquisa "retratos da leitura no Brasil" realizada no país em maio de 2008 pelo ibope


Temos essa disparidade nos nossos tempos, ao contrário da Grécia antiga, onde Atenas era famosa pela forte marca de democracia e pela intelectualidade e Esparta pelos guerreiros que produzia, atualmente o ser humano se caracteriza pela animalização dos prazeres e pela concomitante e persistente busca pelo conhecimento. Olhando de longe, parece que regredimos aos tempos da Roma antiga, com a apreciação de espetáculos, onde os seres humanos eram transformados em objeto de escárnio e de ódio, e onde floresciam, em paralelo, o sentimento de respeito à república com a existência de um senado forte e atuante.


Realmente, hoje, canalizamos nossa raiva a essa espetacularização da vida alheia. Mas que mídia é essa que permite e fomenta tais atitudes? Tais veículos deviam chamar-se pequenos, médios ou grandes coliseus, mas jamais veículos de informação. Sorte a nossa que ainda há leitura de livros e de jornais.

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* jornalista

MIL VEZES FAVELA

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matéria publicada no LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL - DIPLÔ - edição da internet, no dia 29/06/2008 (www.diplo.com.br)
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VIOLÊNCIA E DESIGUALDADE (II)

Tragicamente simbólicos, os assassinatos da Previdência põem a nu o que a República brasileira tem de pior. Os jovens mortos habitavam um morro que evoca Canudos, e do qual surgiu o próprio termo favela. O episódio revela a persistência do apartheid social — que a mídia se empenha em disfarçar...
O episódio recente no Morro da Providência reaviva antigas feridas da história brasileira. Além de reafirmar o ódio e o preconceito das elites contra a população pobre, expõe a postura dos grandes veículos de comunicação, que agem como verdadeiros porta-vozes de um movimento que tenta impedir políticas públicas voltadas para a diminuição das desigualdades sociais. Desde a proclamação da República, os conservadores insistem em desobrigar o Estado de assegurar vida digna para todos. A Providência é a favela mais antiga da cidade do Rio de Janeiro: data de 1897, de acordo com registros históricos. Sua gênese está na violência física e econômica, expressão maior da intolerância e da incongruência que marcam a construção do modelo republicano no Brasil.

O Morro da Providência surgiu para abrigar os soldados que voltaram da Guerra de Canudos, durante a qual ocuparam um morro chamado Favella, na Bahia. A partir da associação do nome "favela" com os soldados, o morro passou a ser popularmente conhecido como Morro da Favela.
O covarde assassinato dos três jovens no Rio de Janeiro nos obriga à reflexão. As vítimas — Marcos Silva, David Florêncio e Wellington Gonzaga — foram entregues por militares a traficantes de um morro rival. Se não tivessem sido entregues por homens de verde oliva, seus nomes não teriam sido divulgados. Talvez nem em estatísticas se transformassem.
Já a mídia procura esvaziar os sinais de exclusão social escancarados pelo episódio e transforma a "cobertura" em campanha contra as políticas sociais que começam a ser implementadas. Partidariza o episódio, para tentar desgastar o atual governo, criminalizando as Forças Armadas, que subiram o morro em meio a insistentes pedidos da classe média carioca – muitas vezes amplificados pelos próprios jornais. Reduz-se a importância da urbanização das favelas cariocas. Afinal são apenas 728 casebres na Providência, sem importância estética em uma cidade marcada pela divisão econômica e social.Cabe ao Estado o "controle" da violência física. No entanto, ele é praticado por meio de execuções sumárias, como mostra o relatório da ONU sobre a relação entre polícia e grupos de extermínio.
Ao se naturalizar a violência entre os morros, exime-se o Estado de exercer o papel de polícia e apontar quem cometeu o crime de fato. Cabe ao Estado moderno o "controle" da violência física. No entanto, tal controle tem sido feito por meio de execuções sumárias, conforme mostra o relatório apresentando ainda em 2 de junho por Philip Alston, relator especial das Nações Unidas que apontou a relação entre polícia, grupos de extermínio e esquadrões da morte no Brasil.
A tentativa de negar a exclusão foi construída ideologicamente pela elite econômica nos anos 1920/30, quando se difundiu o mito de país sem conflitos. Era a fábula das três raças, onde a democracia e a harmonia entre pobres e ricos garantiria a paz de uma nação sem conflitos aparentes, tudo em nome da ordem e da harmonia do status quo.
Mesmo que ente 1896 e 1897 o exército da recém-proclamada República tenha promovido quatro expedições militares ao sertão da Bahia, a última com quase 5 mil homens e artilharia para submeter Canudos, conhecida como "Tróia de taipa". Lá, população local resistiu até o fim ao ódio das forças do governo. Umas 300 mulheres, velhos e crianças se renderam. Os que resistiram até o fim foram baionetados à morte, numa luta corpo-a-corpo travada dentro do arraial. Os que sobreviveram foram degolados.
O dia do assalto final foi 5 de outubro de 1897. Antônio Conselheiro, líder da comunidade, morto duas semanas antes, teve seu corpo exumado e sua cabeça decepada, para estudos frenológicos [1]. O general Artur Oscar determinou que os 5.200 casebres fossem pulverizados a dinamite. E assim, onze meses depois do entrevero de Uauá, terminou Canudos.Muitos dos militares resolveram ocupar os morros, já sob a influência estética de Canudos. Os fantasmas dos brasileiros assassinados no arraial retornaram na consciência dos soldados
Dizia-se no Rio de Janeiro e São Paulo que o movimento era formado por fanáticos, jagunços e sertanejos sem emprego, "gente sem valor". De volta ao Rio de Janeiro, capital da República, os soldados da expedição foram vítimas do abandono. Talvez por vergonha, os mandatários do poder esqueceram-se dos soldos prometidos. Em protesto, muitos dos militares resolveram ocupar os morros, já sob a influência estética de Canudos, que tanto incomodou os marechais da caserna. Apesar da distância, os fantasmas dos brasileiros assassinados no arraial retornaram na consciência dos soldados. E não tardou para que, como uma espécie de mausoléu, fossem batizados de Morro da Favela, nome que fazia referência à planta rasteira característica dos morros da região onde Canudos foi instalada, e que também existia nos morros cariocas.
Em 1902 até 1906, o presidente Rodrigues Alves nomeou Pereira Passos o prefeito do Rio de Janeiro. Os reflexos de Canudos ecoavam na Capital Federal. As habitações coletivas insalubres (cortiços), as epidemias de febre amarela, a varíola, a cólera, que conferiam à cidade a fama internacional de porto sujo ou Cidade da Morte, estavam com os dias contados. A reforma urbana de Pereira Passos, período conhecido como "bota-abaixo", visou o saneamento, o urbanismo e o embelezamento à "moda francesa", a fim de atrair capital estrangeiro e dar ao Rio de Janeiro ares de cidade moderna e cosmopolita. A população da cidade, o povo, ficaria de fora deste plano, a não ser como alvo da perseguição e da violência, criando o sentimento de resistência. A Revolta da Vacina, em 1904, é o exemplo mais emblemático, obrigando o governo a recuar em parte dos seus propósitos.
A reforma promoveu uma grande valorização da área central, que era ocupada parcialmente pela população de baixa renda. Cerca de 1,6 mil velhos prédios residenciais foram demolidos. Em conseqüência destas demolições, a população pobre do centro da cidade viu-se obrigada a morar com outras famílias, a pagar altos aluguéis ou a se mover para os subúrbios. Uma quantidade ínfima de habitações populares foi construída em substituição às que foram demolidas.Um século depois, estão expostas as cicatrizes históricas do modelo orientado pela visão positivista, autoritária e militarizada que hegemonizou a construção da República no Brasil.
À população atingida pela remodelação sobraram os morros situados no centro da cidade, como Providência, Santo Antonio e outros, alavancando a divisão social da cidade até os dias de hoje. Da Cidade da Morte nasce, sob a truculência oficial, a Cidade Maravilhosa.
Consolidava-se a concepção higienista da assepsia social, o que abria caminhos à afirmação ideológica de um positivismo reforçado pelas concepções eugenistas como ideal de cidade, que deveria representar as vontades dos mandatários do poder político e econômico contra todas as "classes perigosas" oriundas do povo.
O historiador José Murilo de Carvalho afirma que pelo menos três grupos políticos reivindicavam "Repúblicas" diferentes: os liberais defensores de uma República ao estilo norte-americano; os jacobinos defensores de uma República popular, nos moldes da idealizada por Robespierre durante a Revolução Francesa; e os positivistas que defendiam uma República autoritária e militarizada, inspirada nos ideais de Augusto Comte.
Um século depois, os episódios do Morro da Providência expõem as cicatrizes históricas do modelo excludente orientado pela visão positivista, autoritária e militarizada que hegemonizou a construção da República no Brasil, dando origem e aprofundando às desigualdades sociais tão gritantes e violentas.
Só no primeiro trimestre de 2008, a polícia do Rio de Janeiro executou, no que ela chama de "autos de resistência", mais de 358 pessoas. Em 2007, foram mais de 1.330 execuções, muitas delas de maneira sumária.
O episódio envolvendo as Forças Armadas no triste assassinato dos três jovens, não é menos brutal e chocante do que é realizado pelo Bope com os caveirões nas favelas cariocas, ou a Rota, na periferia de São Paulo, que executam diariamente dezenas de jovens negros e pobres.
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* licenciado e mestrando em Educação Física pela Unicamp; membro do observatório de políticas públicas de esporte e lazer e pesquisador da violência e futebol; autor e organizador do livro Esporte e Sociedade, ações socioculturais para a cidadania. É também jornalista
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Mais
1> O título do artigo é uma referência a Cinco vezes favela, filme produzido pelo Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, em 1962, e co-dirigido por Miguel Borges (episódio "Zé da Cachorra"), Cacá Diegues (''Escola de Samba Alegria de Viver''), Marcos Farias (''Um Favelado''), Leon Hirszman (''Pedreira de São Diego'') e Joaquim Pedro de Andrade ("Couro de Gato''), à época jovens universitários.
2> Está em fase de finalização, e estreará em breve, um novo filme, com o mesmo nome. A exemplo de seu antecessor, é co-dirigido por cinco jovens. Mas, ao contrário da versão anterior, os diretores são, eles próprios, moradores de regiões precárias da cidade. Por isso, a obra ganhou um subtítulo: Cinco vezes favela — Agora, por eles mesmos. Cacá Diegues está mais uma vez presente, agora como produtor.
3> Para maior aprofundamento sobre o tema, ler, entre outros:CHALHOUB, Sidney. (2004). Cidade febril: cortiços e epidemias na Corte imperial. São Paulo: Companhia das Letras.CHAUÍ, Marilena. (2006). Brasil: mito fundador e sociedade autoritária. São Paulo: Editora da Fundação Perseu Abramo.
[1] A frenologia, considerada uma pseudociência, teve no fisico vienense Franz-Joseph Gall (1758-1828) seu principal personagem. Ele afirmou existirem 26 "orgãos" na superficie do cérebro que afetam o contorno do crânio, incluindo um "orgão da morte", presente em assassinos.

A SEMANA FUTEBOLÍSTICA

por Thiago Bassan*


O último final de semana não foi dos melhores para os times paulistas no Campeonato Brasileiro. Apenas o Palmeiras conseguiu vencer. Mas os clubes de São Paulo, exceto o Santos, permanecem em boas colocações na competição.

O São Paulo, após um confronto equilibrado com o Cruzeiro, no Mineirão (empate por 1 a 1), prepara-se para receber o Ipatinga, no Morumbi, nesse domingo. O Tricolor está em sétimo lugar, com 13 pontos, e precisa vencer o clube mineiro na próxima rodada, além de torcer por tropeços de Palmeiras, Vitória e Náutico, para entrar no G-4, grupo dos clubes que garantem vaga para a Taça Libertadores da América. O treinador Muricy descartou qualquer favoritismo para a partida: "Temos que respeitar o outro lado. São profissionais, vão treinar a semana toda para chegar no domingo e fazer um grande jogo. Eu não aceito favoritismo", disse o treinador. O clima entre o volante Richarlyson e a torcida são-paulina não é dos melhores. O jogador vem sendo criticado pelos torcedores e não demonstra estar preocupado com isso: "O meu objetivo é agradar primeiro o presidente, que é quem me paga, depois o professor Muricy, que é quem me escala, depois meus companheiros de equipe e por último a torcida", afirmou o jogador.

No Palmeiras, após a vitória sobre o Náutico, por 2 a 0, no último final de semana, em casa, o desfalque para enfrentar o Atlético-MG é o chileno Valdívia. Ele está suspenso por ter recebido o terceiro cartão amarelo contra o alvinegro mineiro. Léo Lima deve ser o substituto. Outros desfalques do Verdão serão o zagueiro Gustavo (machucado) o lateral-esquerdo Leandro (que ainda não renovou contrato) e o atacante Kléber (suspenso). Maurício, Jéferson e Denílson serão os substitutos, respectivamente. O alviverde ocupa a quarta colocação, com 16 pontos. O goleiro reserva Diego Cavalieri não viajou com o elenco para Atibaia, onde o time vai se concentrar. Valencia, da Espanha, Milan, Fiorentina, Palermo e Lazio, da Itália, além do Liverpool, da Inglaterra, estariam interessados no jogador, que aguarda o fax de um desses clubes até sexta-feira para confirmar sua transferência.




Santos e Portuguesa fizeram o clássico paulista da última rodada. A partida, realizada no Canindé, terminou empatada em 0 a 0. O resultado não mudou muita coisa na situação dos times na classificação do campeonato. O Peixe foi para seis pontos e ainda permanece na zona de rebaixamento, em 17º lugar. Já a Lusa tem 12 pontos e ocupa a 12ª colocação. No time da baixada santista, os jogadores prometeram ao técnico Cuca que vão evitar sair à noite, na cidade, para curtir baladas ou festas, após o treinador ter liberado os atletas de concentração, que seria realizada a partir da última terça-feira. O Santos procura a primeira vitória sobre o comando do novo treinador, frente ao Atlético-PR, no sábado. E na Portuguesa, o treinador Wágner Benazzi ainda reclama da arbitragem de Carlos Eugênio Simon, no clássico, que segundo ele, teria anulado um gol legitmo de Washington, aos 40 minutos do segundo tempo. O atacante Christian deixou o clube e foi para o Pachuca, do México.



Líder do Campeonato Brasileiro da Série B, o Corinthians está em Itu, treinando para enfrentar o São Caetano. A partida será realizada no próximo sábado, no Pacaembú. E o duelo promete um confronto especial. O atacante Finazzi, que saiu recentemente do alvinegro e foi para o Azulão na semana passada, criticou o atual treinador do Timão, Mano Menezes. Finazzi disse que ficou sabendo, por outras pessoas, que o técnico tinha contato com empresários de jogadores e por isso, escalava esses atletas para as partidas. O treinadou retrucou, dizendo que o centroavante teve seis meses para falar o que quisesse com ele, frente a frente, mas nunca o fez, e só agora depois de deixar o clube deu essas declarações. Polêmicas à parte, o Corinthians espera voltar a vencer, após ter dois empates consecutivos na competição. A dúvida na equipe é sobre quem será o titular da camisa 1. Mano Menezes ainda não definiu se permanece com o goleiro Júlio César ou escala Felipe.



Na última rodada da competição, o Santo André venceu o CRB, em casa, por 3 a 1. Pará, o experiente Marcelinho Carioca, de pênalti, e Jéferson fizeram os gols do Ramalhão, que agora ocupa a sétima colocação. A Ponte Preta foi derrotada pelo Brasiliense por 2 a 0, em Taguatinga, no Distrito Federal, e está em 12º lugar, com 10 pontos.



O Bragantino enfrenta o Grêmio Barueri, fora de casa, no sábado, sem quatro jogadores titulares. Da Silva, Kadú, Moradei e Nego desfalcam o time comandado pelo treinador Marcelo Veiga. No Barueri, a novidade é a marca do goleiro Renê, que vai completar 30 jogos consecutivos pelo time, algo pouco comum nos dias atuais. O clube anuncou a contratação do atacante Val Baiano, que estava no futebol árabe.



O Marília, que está na zona de rebaixamento, com nove pontos, em 19º lugar, emprestou o meia Romeu, para o América-RN e deve fazer o mesmo com o lateral-esquerdo Vandinho, já que o clube potguar é comandado por Ruy Scarpino, ex-treinador do time paulista, que pretende contar com os dois jogadores. O time paulista recebe o Gama, no sábado, no Estádio Bento de Abreu.




TAÇA LIBERTADORES DA AMÉRICA



Em uma final emocionante, disputada no Maracanã, com um público de quase 90 mil pessoas, o Fluminense venceu a LDU, do Equador, por 3 a 1, no tempo normal. Porém, o clube carioca não ficou com o título. Na primeira partida, em Quito, o Tricolor das Laranjeiras foi derrotado por 4 a 2 e por ter vencido em casa pela mesma diferença de gols, levou a decisão para os pênaltis.Nas cobranças, brilhou a estrela do goleiro Cevallos, do time equatoriano. Ele defendeu as cobranças de Conca, Thiago neves (autor dos três gols do Fluminense no tempo normal) e Washington, enquanto Fernando Henrique, do Fluminense, impediu apenas um gol. A LDU derrotou o adversário por 3 a 1 e ficou com o título. Foi a primeira vez que o clube do Equador conquistou o torneio mais importante da América do Sul. Em dezembro, o time vai disputar o Mundial de Clubes, no Japão ao lado do Manchester United, da Inglaterra, campeão da Europa, Pachuca, do México, vencedor da Concacaf, e o Waitakere United, da Nova Zelândia, que ficou com o título da Oceania.



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* jornalista esportivo

CRONOGRAMA POLÍTICO E VARGAS

por Cyro Saadeh*
Breve cronograma:
1822 - O Brasil declara a sua independência de Portugal. O Brasil é denominado Império.
1889 - Através de um golpe militar é instaurada a República.
1930 - Um golpe apoiado pelos militares põe fim à política aristocrática liderada por Minas Gerais e São Paulo. Getúlio se torna presidente do país.
1937 - Getúlio instaura a ditadura.
1945 - Golpe militar que contou com o apoio de generais que até então gozavam da confiança de Getúlio, incluindo o Marechal Dutra (simpatizante do fascismo), e da UDN, de direita, que retiram Vargas do poder. Dutra faz um governo pró-Estados Unidos, persegue sindicalistas, comunistas e até intelectuais e políticos aliados a Getúlio.
1950- Getúlio é eleito presidente e toma posse em 1951, retomando o progresso econômico através de uma política nacionalista. Cria a Petrobrás e a CSN.
1954- Getúlio pratica suicídio. O motivo? Inimigos do povo brasileiro o levaram a isso, segundo a sua carta-testamento.Getúlio, de certo, não foi um presidente perfeito, mas foi o melhor que o Brasil já teve. De início, ele acabou com uma política que diminuia o nordeste e era segregacionista. Construiu a transnordestina e ligou definitivamente o sertão ao centro-sul do país. Investiu na industrialização, criou a Fábrica Nacional de Motores, criou a Petrobrás, criou a CSN, a Usina de Volta Redonda, aparelhou decentemente as forças armadas, assegurou direitos trabalhistas, criou a previdência social, reajustou o salário mínimo, de uma só vez, em 100%, investiu nas universidades e foi graças a ele que a educação pública adquiriu um nível fabuloso de qualidade, que perdurou até o início da década de 70.
1964 - O herdeiro político de Getúlio, João Goulart, é destituído do poder através de um golpe premeditado há décadas. Militares instruídos nas Escolas de Guerra Americanas, membros da UDN, membros de associações conservadoras e grande parte da classe média urbana se unem para apoiar o golpe. Os militares afastam os civis, perseguem membros do governo e esquerdistas. Posteriormente passam a perseguir, inclusive, quem os apoiou, como Carlos Lacerda, Ademar de Barros e Plínio Salgado.
1985 - toma posse, através de eleição indireta, José Sarney, no lugar de Tancredo Neves, que estava doente e viria a morrer logo depois. Sarney era membro da Arena, sigla partidária que dava apoio aos militares durante a ditadura.
1988 - promulgada a Constituição vigente. O Brasil, de fato, torna-se uma democracia.
1989 - Collor toma posse como presidente. Nordestino, dono de veículos de comunicação, e ligado à oligarquia canavieira, teve apoio da TV Globo. Lula, apoiado por Brizola e Covas, perde a eleição em segundo turno.
1994 - Fernando Henrique Cardoso toma posse como presidente, após breve período de Itamar Franco no poder, vice de Collor, que sofreu processo de impeachment e foi proibido de exercer cargo público por 8 anos. Com o apoio do PFL, FHC dá início às grandes privatizações.1998 - Segundo mandato de FHC, que se alinha a Tony Blair e Bill Clinton.
2002- Lula é eleito presidente da República e reeleito em 2006.
Porquê esse cronograma? Para que possamos entender o jogo geopolítico existente.
Vargas não tinha como continuar no poder. Ele simbolizava o oposto ao que interessava aos interesses estadunidenses na década de 50. Os EUA já planejavam ampliar o poderio econômico de suas empresas, controlar os bancos centrais através do FMI e do Banco Mundial. Nenhum outro presidente conseguiu tantos benefícios ao Brasil e nunca o mudou tão rapidamente como ele fez. Ele só não conseguiu diminuir o distanciamento social.Após Getúlio, a educação foi totalmente desvalorizada, as forças armadas desaparelhadas, o nordeste foi esquecido e lembrado apenas como zona de cabresto eleitoral, o trabalhador foi desprezado em prol dos grandes grupos econômicos, o industrial brasileiro não teve mais tantos incentivos, o salário mínimo sofreu constantes arroxos.Getúlio podia ter ficado rico como advogado culto que era, mas optou pela política, pela mudança de rumo do país. Foi um brasileiro que errou, mas um presidente digno e coerente.Ele merecia tanta consideração que após a sua morte e a criação do PDT, sigla que significava a continuidade do trabalhismo do então PTB, Carlos Prestes, o líder comunista, marido de Olga Benário, filiou-se ao PDT, aliando-se a Brizola e Darcy Ribeiro, dentre outros políticos e intelectuais.Hà muitas histórias mal contadas sobre Getúlio e também muitas inverdades. Muitos opositores tentaram denigrir a imagem daquele homem baixo que seduzia as massas, mas até hoje ele é citado como o melhor presidente que o Brasil já teve pela maioria da população.Infelizmente, São Paulo é a única cidade que não tem uma avenida importante com o nome Getúlio Vargas, contrapondo-se ao restante do país.O que se pode extrair da história real? Que Getúlio foi um homem de visão, um estadista que sabia chamar os bons profissionais, ainda que adversários políticos, para comporem o seu governo.A lição que ele deixou ao país? Que a sua obra não terminou e temos muito a fazer. A questão social e o valor do salário mínimo são pontos cruciais, hoje.Atualmente temos líderes que se dizem de esquerda, mas permitem a diminuição dos direitos trabalhistas e previdenciários, e não têm projetos de médio e longo prazo para o país.Que falta faz um líder democrático com a visão de Getúlio Vargas!Que falta faz um retrato histórico sem a ânsia de denigrir.
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* jornalista

COLUNA DE VÍDEOS


EM BREVE:


COLUNA DE VÍDEOS


CULTURAIS,


EDUCATIVOS,


POÉTICOS E


DOCUMENTÁRIOS



DE AUTORIA DOS COLUNISTAS.


AGUARDE!

UMA NOVA REALIDADE GEOPOLÍTICA BRASILEIRA

I- POSIÇÃO POLÍTICA
A América Latina, hoje, revive momentos históricos. Bolívia, Equador, Nicarágua, Paraguai e Venezuela colocam parte do continente em um mundo mais politizado, anti-imperialista e esquerdista. Argentina, Brasil, Chile e Uruguai ficam naquilo que se poderia denominar de centro-esquerda. Isolada, resta a Colômbia do presidente Uribe, aliada próxima dos Estados Unidos e inimiga dos presidentes do Equador e da Venezuela.
O império estadunidense está próximo de perder a sua base no Equador, o que deve ocorrer até 2009, e também pode perder a importante base aeroportuária no Paraguai. O que restará dos Estados Unidos no continente sul-americano? Algo que não desbanca o poderio estadunidense, como serviços secretos espalhados pelos países, incluindo o Brasil, que permitiu a criação de escritório da CIA em S. Paulo; a parceria militar e estratégica com a Colômbia; e a 4ª Frota que ficará bem aonde imaginam... próxima do Brasil, já que o nosso país teve o privilégio de ter um imenso litoral no Atlântico-Sul.
O Brasil não adota uma posição anti-americana, mas está se distanciando do seu "parceiro". Votou contra a invasão do espaço aéreo equatoriano por forças colombianas. Aproxima-se fortemente de Cuba, pretendendo fortalecer os laços culturais - que já existem - e econômicos - ainda muito incipientes. Mantém conversações próximas com Bolívia, Equador e Venezuela. Almeja a criação de uma força defensiva sul-americana. Rejeitou a morimbunda Alca e investiu no fortalecimento do Mercosul. Pretende comprar submarinos nucleares e armamentos da França ou da Rússia.
A instabilidade na América do Sul não interessa ao Brasil. O seu crescimento econômico depende de estabilidade democrática e de paz na região. Confrontos militares entre vizinhos ou as meras ameaças de beligerância, esvaziam a nossa capacidade de crescer monstruosamente, já que o comércio brasileiro volta-se primeiramente aos vizinhos. Dizem que os Estados Unidos fomentam provocações para evitar que o Brasil cresça. O Brasil sempre teve um papel central como mini-potência pró-Estados Unidos. Nunca é demais relembrar que a ditadura brasileira foi planejada pela CIA e serviu para afastar governos esquerdistas na América do Sul. Hoje, o Brasil afasta-se do império e já não é mais o queridinho de lá, para a nossa sorte e paz. A Colômbia foi escolhida como nova parceira. Ela que se cuide.
II - FORÇA DEFENSIVA
O Brasil, numericamente, detém a maior força bélica do continente sul-americano, mas a maior parte do armamento está obsoleta. A Colômbia, com um território muito menor e uma população infinitamente reduzida, tem as forças armadas mais bem preparadas e armadas. Chega a totalizar 400 mil soldados, contra cerca de 200 mil do Brasil.
Com aviões, tanques e armamentos modernos, a Colômbia tem preocupado os seus países vizinhos. O Brasil, por sua vez, possui grande número de aviões com tecnologia ultrapassada e uma frota naval lastimável.
A Embraer fabrica os tucanos e os aviões de espionagem utilizados na Amazônia, mas isso não é suficiente a dar ao Brasil a independência pretendida. Por isso firmou posição na criação de uma escola militar e de estratégia sul-americana, boicotada veemente e unicamente pela Colômbia.
Por tudo isso, os militares brasileiros têm visto a Colômbia e os Estados Unidos com preocupação. E não se trata de militares esquerdistas, comunistas ou alienados, mas de militares com uma preocupação e visão estratégica necessária aos interesses nacionais.
Foi pouco divulgado, mas as forças brasileiras fizeram um intenso treinamento no Vietnã. Para que? A resposta não é mencionada às claras, mas supõe-se que seja para combater guerrilhas na Amazônia (FARC) e exércitos com forças e equipamentos muito superiores (Colômbia e Estados Unidos).
III- PETRÓLEO E ÁGUA
Coincidência ou não, as mais recentes descobertas da Petrobrás ficam na direção do litoral de Santos, no oceano Atlântico. Militares brasileiros preocupam-se com a questão do nosso mar territorial e com a sua exploração que pode ser obstada pelos Estados Unidos nos organismos internacionais.
O petróleo é tanto a base da industrialização moderna, como a base da motorização da maior parte dos veículos mundiais. É uma fonte esgotável em que as reservas de alguns países não perdurarão por mais de 6 ou 8 anos.
Por outro lado, a água potável, que também é esgotável, já está em falta em boa parte do mundo, como no Oriente Médio e na África, e promete ser mais rara a cada ano que passa, inclusive e principalmente nos Estados Unidos, que poluem a pouca água que têm. Infelizmente para o Brasil, ainda não inventaram algo para substituir a famosa fórmula H2O para movimentar a maquininha dos seres humanos.
Paralelamente às descobertas de petróleo, o Brasil detém a maior reserva de água potável do planeta, que divide-se entre a bacia amazônia, próxima da Colômbia, e o aquífero guarani, muito próximo do Paraguai. Coincidência ou não, os Estados Unidos estão colados nessas nossas reservas estratégicas.
IV- CRESCIMENTO ECONÔMICO
O Brasil não tem crescido como poderia, mas, mesmo assim, tem impressionado e preocupado muitos países. Ele faz parte do que se resolveu denominar de BRIC- integrado por Brasil-Rússia-Índia-China. Esta sigla é utilizada para indicar os países com economia emergente e que em 20 ou 30 anos assumirão o papel de líderes econômicos mundiais.
Feliz ou infelizmente, desses 4 grandes países em território e em população, o Brasil é o único que não possui armamentos nucleares. Se a previsão de crescimento e liderança se confirmar, seremos o único país do globo a ser uma enorme potência econômica, mas sem a ressalva nuclear.
Isso gera uma certa preocupação na questão de segurança interna. As bombas nucleares servem muito mais para evitar um ataque de força estranha do que qualquer outra coisa, por gerar o receio de retalização. A preocupação do Brasil é com a segurança dos aquíferos, poços petrolíferos, e das instalações industriais e das grandes cidades brasileiras.
A manutenção de permanente diálogo e proximidade com outras nações importantes e a construção de submarinos nucleares, a fabricação de aviões supersônicos e a aquisição ou fabrico de mísseis balísticos são imprescindíveis para suprir a carência defensiva e barrar pretensões beligerantes externas, a ponto de permitir a manutenção do nosso potencial econômico.
E juntamente com a Índia, o Brasil é a única grande potência emergente que não possui assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU, de onde fazem parte Rússia, China, Estados Unidos, França e Reino Unido. Isso também gera preocupações e é por isso que se faz necessária uma maior aproximação com a França, a China e a Rússia.
V- DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
Não me canso de dizer que os Estados Unidos usam pretextos - a fim de iludir a própria população - para justificar a invasão de um outro país. Movimentos sociais e populares, onde se inclui o MST - Movimento dos Sem-terra, pode ser rotulado pelos estadunidenses como movimento armado e de doutrina comunista, perigoso à democracia na região, assim como fizeram ao denominar as FARC de movimento terrorista (e não guerrilheiro). Pode-se utilizar como pretexto, também, eventual acolhida de membros das FARC na amazônia brasileira.
VI- CAMINHO CERTO?
Neste aspecto, o Brasil tem trilhado no caminho certo, com calma e ponderação, mas sem perder de vista os interesses das futuras gerações brasileiras. É necessário treinar nossas forças armadas, armá-las, comprar submarinos com propulsão nuclear, investir em armamentos de interceptação e de alcance intercontinental, fomentar o fabrico desses armamentos no nosso continente ou comprar de países que não tenham interesses imperiais na região, e manter sempre um diálogo com outros países importantes geopoliticamente, como a França, a China e a Rússia. É necessário repensar estrategicamente, sempre, para que o Brasil possa estar preparado a qualquer eventualidade.